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2018, mais complicado que 2017

O ano de 2018, em seus primeiros dias, já está confirmando os alertas feitos! A economia passará por grandes turbulências no Brasil. Apesar de alguns indicadores econômicos, caso do PIB, apontarem para uma melhoria, os mesmos não são suficientes para oferecer garantias de sustentabilidade no médio prazo.

No cenário internacional, o aquecimento da economia dos EUA confirma a necessidade de aumento nos juros básicos daquele país. Isso fez com que estourasse a primeira bolha especulativa do ano, com Nova York e as demais bolsas de ações mundiais recuando fortemente neste dia 05/02. Existe a projeção de três aumentos de juros nos EUA no corrente ano.

Ora, juro mais alto naquele país tende a deslocar capitais dos países emergentes, caso do Brasil, para a América do Norte. Como o Brasil é tomador de capital externo, tal situação levará a uma desvalorização do Real, com potencial inflacionário importante, o qual obrigará a uma elevação de nosso juro básico (Selic).

No front interno, a ameaça de o governo brasileiro romper com a “regra de ouro” nos levou ao rebaixamento de nossa nota de crédito no exterior, nos deixando três degraus abaixo do grau de investimento (esta regra compõe a Lei de Responsabilidade Fiscal, determinando que o montante das operações de crédito não pode ser superior ao valor dos investimentos, tendo por objetivo impedir que o governo contraia financiamentos para quitar despesas correntes, ou seja, para manter a máquina pública funcionando. O descumprimento da mesma se equivale ao fato de um consumidor usar o cheque especial como complemento salarial no final do mês, pagando juros, ao invés de cortar despesas).

Esta realidade reforça o fracasso do governo na realização do ajuste fiscal necessário. Aliás, o rombo de R$ 124,4 bilhões nas contas do governo central em 2017, embora abaixo da meta corrigida de R$ 159 bilhões, é enorme, representando 1,9% do PIB. O total da dívida pública bruta brasileira deverá atingir 74,8% neste ano, contra 51,3% em 2011 (somente a dívida pública federal equivale, hoje, ao PIB total do México ou da Indonésia). E para 2018, já há um buraco calculado ao redor de R$ 200 bilhões.

Neste contexto, acaba de ser anunciado um bloqueio no orçamento federal da ordem de R$ 16,2 bilhões, visando permitir que se alcance pelo menos o déficit primário projetado, que é de R$ 159 bilhões.

Mas novos cortes serão necessários, especialmente se a Reforma da Previdência não sair. E mesmo que saia, será muito pequena e pouco ajudará (aliás, até o dia 20/02 tal reforma será definida no país e, caso não saia, deixará o mercado nacional ainda mais turbulento, com a Bovespa recuando e o Real se desvalorizando de forma mais intensa, fato que forçará a reversão da Selic).

Soma-se a isto o fato de a inflação oficial em porcentagem, ter potencial para quase dobrar, embora fique ao redor do centro da meta oficial (4,5% ao ano). Com isso, o consumo das famílias, que vem puxando timidamente o PIB, ficará mais comprometido. Especialmente porque continuamos tendo, neste início de 2018, um pouco mais de 60% de famílias brasileiras inadimplentes (no Rio Grande do Sul, as famílias inadimplentes em janeiro/18 eram 46,2% do total, contra 27,7% em janeiro/17). E a redução do desemprego pouco ajuda, pois ainda temos 11,8% de desempregados, sendo que os empregos gerados até o momento são majoritariamente informais e/ou de baixa qualidade (mesmo que com franca redução, 2017 foi o terceiro ano consecutivo com saldo negativo na geração de empregos no país).

Portanto, de baixa remuneração (a quantidade de pessoas empregadas com carteira assinada recuou 2% no quarto trimestre de 2017, enquanto o percentual de trabalhadores sem carteira assinada aumentou 5,7%)! Aliás, o rendimento médio da população brasileira fechou 2017 em R$ 2.154,00, aumentando apenas 1,6% sobre 2016, enquanto a inflação oficial no ano passado foi de 2,95%. É bom lembrar que a média do endividamento brasileiro era de R$ 4.400,00 por pessoa no final de 2017.

Ou seja, mais do que o dobro da renda auferida. Por outro lado, a turbulência maior está por vir na medida em que a campanha eleitoral para Presidente da República avançar em um contexto em que os pré-candidatos existentes não oferecem confiança. O risco de elegermos um “populista irresponsável para com as contas públicas” é enorme.

Em tal contexto, não é por acaso que os investidores estrangeiros, em janeiro, já frearam suas participações no mercado brasileiro. Por sua vez, grande parte dos Estados da Federação estão quebrados, caso do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, o mesmo acontecendo com os municípios (no Rio Grande do Sul, 2017 terminou com 25% dos municípios no vermelho, com a situação geral devendo piorar em 2018). Enfim, a safra de verão atual será menor, com preços médios baixos, consolidando uma situação que já foi ruim em 2017. Ou seja, se no ano passado os preços não reagiram, porém, houve volume produzido, neste ano o risco é de, comparativamente, termos pouca mudança nos preços e menor volume de produção.

Portanto, 2018 será muito turbulento, podendo mesmo ser mais complicado que 2017, confirmando, infelizmente, que estamos longe da saída da crise econômica e de uma recuperação sustentável.

Fonte: CEEMA

Visite aqui o Relatório FOCUS do Banco Central – Edição de 09/02/2018

Brasil decide liberar importação de feijão, mas…

feijc3a3oBRASÍLIA (Reuters) – O presidente interino Michel Temer anunciou nesta quarta-feira a liberação da importação do feijão num esforço para diminuir o preço do alimento, cuja alta recente vem impactando a inflação.

Em nota no site do Planalto, o governo anunciou que a liberação contemplará a importação do feijão da Argentina, Paraguai e Bolívia. Também está sendo estudada a importação do produto do México, após assinatura de acordo sanitário, e da China.

Segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, “o preço do principal produto na mesa dos brasileiros subiu em função de questões climáticas, que ocasionou a perda de praticamente todas a safra no Centro-Oeste”.

“Isso ocasionou uma queda na oferta e um aumento na demanda, fazendo com que os preços subissem”, afirmou o ministro no comunicado.

(Por Marcela Ayres)


Apresentada a notícia, passemos à análise crítica.

À exceção da China, nenhum dos países apontados pela reportagem acima figuram realmente entre os Players deste produto. Tal conclusão pode ser constatada nos gráficos abaixo, elaborados esta manhã utilizando dados da FAO/ONU.

Mesmo a China, ainda que figure entre os Players, sua produção é muito pequena e provavelmente não poderá nos atender.

Conclusão: Autorizar a importação não necessariamente significará que teremos uma reposição da oferta de feijão.

Feijão - Producer

Feijão - Export

Feijão - Prices

O Petróleo é nosso?

O famoso slogan “O Petróleo é nosso”, amplamente defendido por governos e líderes populistas desde a era Vargas (fundação da Petrobrás), não me parece muito sensato nos dias atuais.

Hoje vivemos uma nova era do “PeTróleo é nosso” e a estatal “PeTrobrás” tem prestado um desserviço à população brasileira. Na verdade este desserviço vem de muito tempo, passando por diferentes governos e prevalecendo com força e vigor ainda maior na atualidade.

Pois bem, neste feriado de finados resolvi tomar um pouco do meu tempo livre e apresentar aqui algumas informações (dados), que talvez possam permitir ao leitor tirar algumas conclusões acerca da real necessidade de a Petrobrás manter ou não o monopólio do petróleo, e mesmo de continuar sendo uma empresa estatal.

Em primeiro lugar faço uma pergunta ao nosso leitor: Em 2014 qual era a posição ocupada pelo Brasil no ranking dos preços da Gasolina segundo o Banco Mundial?

A resposta é que ocupávamos a 77ª posição, ou seja, nada menos que 76 nações ao redor do planeta tinham uma gasolina mais barata que a nossa. E entre estes países com gasolina mais barata estão alguns com economias parecidas com a nossa (em desenvolvimento), tais como: Índia, China, Rússia, México, etc. E aqui cabe um detalhe, por lá a Gasolina é de qualidade bem superior e raramente tem misturas que reduzem o rendimento (caso do etanol), o que torna a nossa ainda mais cara devido ao menor rendimento (Km rodado por litro).

O Banco Mundial realiza a cada dois ou três anos uma ampla pesquisa sobre os preços dos combustíveis ao redor do mundo, o que nos permite acesso a dados confiáveis sobre o assunto.

No gráfico abaixo apresentamos o comportamento dos preços (em dólar dos EUA) da Gasolina em três países selecionados: Brasil, EUA e Rússia. Também está apresentado no mesmo gráfico os preços do petróleo (por lito). O período abrange os últimos 23 anos após a abertura econômica, 1992 a 2015.

Petróleo 1

Se observarmos o gráfico acima, podemos notar que os preços da Gasolina no Brasil (barras azuis) são sempre bem mais elevados do que nos EUA (barras vermelhas) e também em relação à Rússia (barras verdes). Podemos também inferir que esses preços mais caros no Brasil independem do preço do Petróleo, ou seja, são sempre mais elevados que nos demais países selecionados.

Já no gráfico abaixo apresentamos a relação existente entre os preços da gasolina no Brasil e os países selecionados.

Petróleo 2

No gráfico acima podemos observar que, os preços no Brasil são em média 1,78 vezes os praticados nos EUA, e respectivamente 1,70 vezes os praticados na Rússia. Isso deixa claro que o povo brasileiro vem sendo “assaltado” pela empresa do “Petróleo é nosso”.

O gráfico abaixo nos traz outra análise também interessante, qual seja, a relação existente entre o preço do Petróleo e o da gasolina nos países selecionados.

Petróleo 3

O gráfico deixa clara a ineficiência da gestão na exploração, refino e comércio do petróleo no Brasil. Isso fica evidente ao observarmos que nos EUA o litro da gasolina custa em média 1,71 vezes o preço do petróleo, enquanto na Rússia custa 1,79 vezes. Mas em nossa terra Tupiniquim este número alcança a absurda média de 3,04 vezes, e em casos extremos alcançando 9,73 vezes.

A reflexão e indagação que deixo aos nossos leitores são as seguintes: Precisamos manter o monopólio do Petróleo nas mãos da Petrobrás, e mais, precisamos de uma estatal de petróleo?

Afinal, os combustíveis são um componente importante dentro do processo produtivo de qualquer economia, e os preços que nos são impostos pela Petrobrás certamente reduzem substancialmente nossa competitividade frente à outras economias, onde os combustíveis possuem preços bem mais acessíveis.

Por: Marsio Antônio Ribeiro

Os Mapas da Retaliação Governista

Seria uma mera coincidência o fato de, a energia ter SUBIDO MAIS justamente nos estados que não votaram em DILMA.? Acredito que não, e no meu modesto entendimento o Governo não respeita os princípios republicanos agindo com retaliação contra a população. Os dados (gráficos abaixo) mostram claramente a inexistência de uma isonomia nos reajustes. Peço a você que veja os mapas abaixo e elabore sua própria conclusão dos fatos, eles falam por si só.

Fonte: Folha de São Paulo

mapa estados

Fonte: Portal G1

Feliz 2016

Por: Argemiro Luís Brum – Mestre e Doutor em Economia Internacional

Circula um sentimento, em boa parte dos economistas e instituições empresariais e financeiras do Brasil, que o melhor, neste final de ano, é desejar um Feliz 2016 aos amigos e clientes, tamanhas serão as dificuldades econômicas que o país passará em 2015. Se existem razões concretas para isso, também existe um bom motivo para se ver com mais otimismo o próximo ano. Obviamente, tudo dependerá dos passos que a nova equipe econômica dará. É verdade que terminamos 2014 praticamente no fundo do poço econômico, com um PIB estagnado em 0%; uma taxa de inflação oficial ao redor do teto da meta (6,5%) e uma inflação real pelo menos em 15% ao ano; com uma balança comercial em déficit ao redor de US$ 3 bilhões; com a geração de emprego caindo rapidamente enquanto o desemprego avança em diferentes setores; com um endividamento familiar brasileiro ao redor de 60%, enquanto a inadimplência atinge 25% dos cidadãos deste país; com uma infraestrutura sucateada, indicando novos e fortes reajustes de preços da energia elétrica e dos combustíveis; com escândalos de corrupção pública de toda ordem, particularmente na Petrobrás; com forte ameaça de termos nossa nota de crédito no exterior mais uma vez rebaixada; e assim por diante. Nosso PIB no ano que vem poderá não alcançar 1%. Enquanto isso, a Selic deverá bater entre 12,5% e 13,5% até o final de 2015, em busca de um retorno da inflação ao centro da meta (4,5%), fato que parece impossível devido ao aumento dos preços da energia em geral e das importações puxadas pela desvalorização cambial. Paralelamente, a Bovespa faz tempo que amarga recuos expressivos neste ano, puxados pelo desastre anunciado da Petrobrás, seja pela incompetência gerencial seja pela enorme corrupção que a consome. Atualmente o valor de mercado da maior estatal brasileira é de US$ 50 bilhões, ou seja, 83% a menos do que valia em maio de 2008. Enquanto isso, sua dívida cresceu de US$ 12 bilhões para US$ 110 bilhões. Mas, apesar de tudo isso, o que permite esperar um 2015 que venha a ser, senão positivo, pelo menos um divisor de águas, é o fato de que o governo federal reeleito esteja mudando o modelo econômico. A possibilidade de corrigir o rumo, finalmente, nos permite esperar, em não havendo retrocesso no processo, que em dois anos poderemos começar a sair do atoleiro econômico em que a péssima gestão pública nos colocou nestes últimos cinco anos, comprometendo inclusive os programas sociais. 2015 seria muitíssimo pior se não estivéssemos vendo nenhum movimento para corrigir o rumo, perpetuando os erros que afundariam ainda mais o país na crise. Pelo menos, mesmo que tênue, parece que iniciamos um processo de conserto, embora seja sabido que o remédio será amargo e os cortes serão profundos até voltarmos a respirar economicamente melhor.

Publicado originalmente por: Agrolink

Classe Média.. onde..?

Na semana passada (mais precisamente no dia 15/10), após proferir uma palestra sobre mercado financeiro na UFG, um dos espectadores ali presentes me abordou em particular e fez as seguintes indagações: “Qual o tamanho da Classe Média no Brasil ?”, e “Qual o critério que define as Classes Sociais ?”. Segundo este me informou, ele estaria fazendo a mesma indagação à vários professores, a fim de obter obter uma visão mais abrangente sobre o tema em questão.

Visando não entrar em questões políticas (terríveis nestes tempos de eleição), orientei para que ele se inteirasse da questão, sugerindo duas matérias interessantes.

A primeira, publicada pela Agência Brasil (Governo Federal) em 25/06/2012:

http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-06-25/moreira-franco-defende-modelo-de-classes-sociais-adotado-pela-sae

A segunda, publicada pelo portal G1 (Globo) em 20/08/2013:

http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2013/08/veja-diferencas-entre-conceitos-que-definem-classes-sociais-no-brasil.html

Em resumo:

Segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) os critérios que definem as classes sociais no Brasil, divulgados no dia 29 de maio de 2012 têm como única variável a renda per capita familiar. A definição foi feita por uma comissão, vinculada à SAE, que aponta três classes gerais: baixa (R$ 81,00 a R$ 291,00), média (R$ 291,00 a R$ 1.019,00) e alta (acima de R$ 1.019,00). A classe média, por sua vez, está dividida da seguinte forma: baixa classe média, com renda familiar per capita entre R$ 291,00 e R$ 441,00; média classe média, entre R$ 441,00 e R$ 641,00; e alta classe média, com renda superior a R$ 641,00 e inferior a R$ 1.019,00.

E segundo os professores Wagner A. Kamakura (Rice University) e José Afonso Mazzon (FEA-USP), a “baixa classe média” inicia com renda média familiar de R$ 2.674,00.

Corrobora com esta constatação o fato de que o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) considera como “Salário Mínimo Necessário” o valor de R$ 2.862,73 em Setembro/2014 (http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html).

E o que é o Salário Mínimo Necessário:

É o Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim” (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Foi considerado em cada mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, os dois últimos consumindo o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chega-se ao salário mínimo necessário. Saiba mais em: http://www.dieese.org.br/metodologia/metodologiaCestaBasica.pdf

Minha opinião:

Acredito que os dois critérios são muito superficiais, principalmente o da SAE. Me parece insensato dizer que uma família auferindo renda per capita de R$ 291,00 possa ser considerada de classe média. Mesmo a renda familiar de R$ 2.674,00 proposta pelos professores Wagner A. Kamakura (Rice University) e José Afonso Mazzon (FEA-USP), parece não possuir critérios muito adequados.

Não sou e nem pretendo ser especialista no assunto, mas entendo que a definição de uma classe social deveria incluir outros critérios, tais como o grau de instrução, perfil de consumo, etc.

Direciono meu alerta principalmente às empresas, muitas das quais tem orientado seu planejamento estratégico com base em dados da estratificação social. Tal procedimento, se adotado de forma pouco criteriosa e com base apenas nos indicadores aqui mencionados por ser algo temerário.

O custo da inércia

Por Luciana Seabra | De São Paulo (Valor Econômico – 19/03/2014)

Dez fundos DI e de renda fixa com patrimônio superior a R$ 100 milhões renderam mais dinheiro aos gestores do que aos investidores em 2013. Essas carteiras, com taxa de administração que chega a 5%, reúnem patrimônio de R$ 16,4 bilhões e um total de 929.245 cotistas. A gestão desses fundos, em geral recheadas de títulos públicos, é simples. Entre os argumentos dos gestores para ficar com uma fatia maior do que a que cabe ao aplicador, porém, estão a comodidade do resgate automático e o sorteio de prêmios.

O levantamento foi feito pela Vérios, dona do site Comparação de Fundos, com base em dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre fundos DI e de renda fixa, acessíveis ao investidor, e com mais de R$ 100 milhões em ativos. Para cada um desses fundos, a Vérios simulou quanto um investidor teria líquido ao fim de 2013 se tivesse aplicado R$ 10 mil no começo do ano.

Para a carteira de taxa mais alta, um fundo DI do Santander com patrimônio de R$ 4,1 bilhões, o banco ficou com R$ 516 e o cliente ganhou R$ 264. Outros R$ 56 foram pagos pelo investidor em imposto de renda, considerada a alíquota de 17,5%, incidente sobre fundos de renda fixa para o prazo entre um e dois anos.

O retorno dos dez fundos listados pela Vérios, antes do desconto do imposto, variou entre 0,72% e 4,34% no ano, o equivalente a um percentual entre 9% e 54% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), a principal referência para aplicações conservadoras. No mesmo período, para se ter ideia, a poupança antiga rendeu 6,37%, isentos de imposto de renda.

A taxa de administração média dessas carteiras é de 3,88% ao ano. “Esses são fundos de gestão simples, que em casas especializadas teriam taxa na ordem de 0,3% a 0,5%”, diz Daniel Ávila, sócio da Vérios, em referência a gestores independentes. A maior parte das carteiras cuja taxa de administração superou o ganho do investidor é gerida por bancos e oferecida principalmente a clientes de varejo.

A Vérios tem uma plataforma on-line de fundos, em que é possível comparar diferentes produtos. Desde janeiro um sistema gratuito permite consolidar a carteira. O cliente lança o valor, data de aplicação e nome de todos os fundos em que investe e o sistema atualiza a rentabilidade. “Cada vez mais a tecnologia vai permitir acesso a outros produtos. A grande barreira ainda é a questão da confiança. Os bancos de varejo são muito presentes no dia a dia”, diz Ávila.

Os fundos do Santander que aparecem no levantamento são uma opção para os recursos que vão ser usados ao longo do mês, entre o recebimento de um salário e outro, diz Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais da gestora do Santander. “Isso não é um fundo para as pessoas aplicarem suas reservas, ele tem um propósito muito específico, que é remunerar os recursos parados em conta corrente no curtíssimo prazo”, afirma.

Nesse tipo de fundo, caso também da carteira da BB DTVM e do Banestes, o cliente pode optar pelo resgate automático de recursos quando o dinheiro em conta corrente acaba. A aplicação automática, quando entram recursos em conta, não é permitida à pessoa física pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas funciona para a jurídica. O operacional desses fundos é intenso, para nunca deixar a conta no negativo, o que é custoso, diz Mosca. “Se o dinheiro ficasse parado em conta corrente ia render zero”, defende. No caso da poupança, seria preciso esperar um mês para que o retorno se efetivasse.

O fundo de renda fixa do Banestes, com patrimônio de R$ 660,8 milhões e taxa de administração de 4%, é voltado principalmente para investidores do setor público, com isenção de imposto de renda, segundo José Marcio Soares de Barros, diretor de administração de recursos de terceiros do banco. A possibilidade de resgate automático, diz, evita o custo de um funcionário controlando durante todo o tempo o saldo em tesouraria. “É uma comodidade de que o cliente não abre mão”, diz.

O Itaú Unibanco informou, em nota, que os fundos listados no levantamento, com patrimônio somado de R$ 665,5 milhões, não fazem mais parte da oferta de produtos para os clientes pessoa física e estão fechados para aplicação desde novembro de 2011. O banco afirma ter se preparado ao longo de 2011 e 2012 para uma economia brasileira de taxas de juros mais baixas. Desde o fechamento dos produtos, informa o banco, os fundos já perderam metade do seu patrimônio, com resgates de clientes para uso do recurso ou realocação em outros produtos, com taxas que variam de 2,5% a 0,50%.

O Bradesco respondeu em nota que o chamado Hiperfundo, com R$ 4,7 bilhões de patrimônio e taxa de 3,9%, “tem características de um produto diferenciado cujo apelo comercial não é apenas a rentabilidade mas, também, os sorteios de prêmios”.

Os sorteios, além do resgate automático, são também o mote da carteira de renda fixa da BB DTVM, fundo de maior patrimônio do levantamento, com R$ 5,2 bilhões em ativos sob gestão e taxa de administração de 3,8%. A gestão da carteira é simples, mas o custo operacional é alto, segundo a BB DTVM, devido à presença de cerca de 300 mil cotistas.

“Trabalhamos esse fundo no sentido de adequar as duas questões, para não ser absolutamente irracional enquanto investimento e ao mesmo tempo trazer uma atratividade interessante em termos de premiação”, diz Carlos Takahashi, presidente da BB DTVM. O fundo distribuiu, segundo ele, R$ 3,72 milhões em prêmios de R$ 1,5 mil a R$ 100 mil no ano passado. O investidor, diz, busca o produto pelo prêmio. “É da faceta do brasileiro gostar dessa questão associada a sorteio.” Em termos de rentabilidade, diz Takahashi, existem na própria casa produtos mais atrativos, como fundos DI e renda fixa com taxa de 1,5% para aplicação mínima de R$ 50.

O Banrisul decidiu não se manifestar sobre o assunto, enquanto Safra e Taboaço Nieckele Associdados não responderam aos contatos da reportagem.

“Cabe ao investidor fugir desses fundos de taxas muito altas, porque essa questão de misturar aplicação financeira com prêmios não costuma ser interessante para ele”, diz Bolivar Godinho, professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O resgate automático também não é, na opinião dele, um motivo para aplicar nesse tipo de carteira. “Hoje você consegue fazer resgate de fundos DI pela internet com crédito no mesmo dia”, diz.

“Investimento não é brincadeira”, diz também George Wachsmann, sócio da GPS, que administra recursos de famílias de alto patrimônio. Ele defende que, no caso de fundos com prêmios e títulos de capitalização, o cliente seja muito bem orientado sobre o que é ofertado. “O prêmio parece muito mais uma forma de justificar uma taxa exorbitante”, considera. Para ele, na hora de selecionar um fundo, o investidor deve ser ainda mais exigente e comparar se o que fica com ele é maior do que o que é entregue ao gestor depois de descontado o referencial, como o CDI.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou em nota que as premiações, quando existentes, não podem ser encargos do fundo, já que não estão previstas no artigo 99 da Instrução 409. A autarquia considerou ainda que entende a taxa de administração como um preço de mercado. “Há muitas opções de fundos de investimento com baixas taxas de administração para os diversos públicos”, apontou. O que a regulação exige, completou, é um nível de transparência adequado para o investidor comparar, escolher, acompanhar e, eventualmente, mudar de aplicação.

Sobre as aplicações e resgates automáticos, Wachsman lamenta que os bancos deixem apenas fundos com taxa de administração elevada disponíveis nessa modalidade. É impossível vincular a conta corrente a um Certificado de Depósito Bancário (CDB), por exemplo, diz.

Está longe de ser tão confortável quanto um fundo com resgate automático, mas Wachsmann diz que a referência do investidor deve ser no limite a compra de uma LFT no Tesouro Direto, sistema de venda de títulos públicos à pessoa física pela internet. Em geral, é esse papel que os fundos DI compram. O título paga a taxa Selic e tem liquidez todas as quartas-feiras.

Uma alternativa mais simples é um fundo DI do mesmo banco, sem aplicação e resgate automático. No caso do Santander e da BB DTVM, por exemplo, há carteiras disponíveis com taxa de 1,5% para quem tem a disciplina de investir sozinho. Em plataformas independentes, como XP, Órama e Guide, há fundos com taxa inferior a 1% para aplicações iniciais baixas.

A taxa de administração média para fundos DI e renda fixa, segundo relatório da Anbima referente a janeiro, é de 0,73%. No caso de fundos de varejo, a taxa média do DI sobe para 1,17% e a das carteiras de renda fixa para 1,06%. O volume de recursos pesa. A taxa de administração média para um fundo DI com tíquete de entrada de até R$ 1 mil é de 3,28%. Já para tíquetes entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, a taxa cai para 1,54%.

A Economia Brasileira em 2013: Um Péssimo Ano

Por: Argemiro Luís Brum

A ECONOMIA BRASILEIRA EM 2013: UM PÉSSIMO ANO

Estamos encerrando o ano de 2013 e, como se prenunciava, a economia nacional registra um de seus piores momentos dos últimos anos. Praticamente todos os indicadores econômicos estão sinalizando “perigo”. O PIB, apesar de registrar um crescimento em relação ao 0,9% de 2012, não será maior do que 2% a 2,5%, quando o necessário para o país seria algo entre 6% a 7% anuais. E a expectativa para 2014 é de permanecer nesta faixa, desde que as safras agrícolas de verão se repitam positivas. Nesse contexto, o crescimento industrial nacional talvez alcance 1%. As taxas de investimento e poupança tendem a se consolidar entre 17% e 19% do PIB, contra uma necessidade de 25% se quisermos alavancar um crescimento mais robusto. O nível de emprego, que vinha sendo o ponto mais positivo pelas contas oficiais, termina o ano dando sinais de redução, com aumento do desemprego em muitos setores. A taxa média de desemprego, nos oito primeiros meses do ano, ficava em 5,7%, repetindo a performance de 2012 no mesmo período. Porém, nas capitais nacionais a taxa média alcança os 10%. Com a baixa produtividade da mão de obra, em relação aos custos de produção, as empresas nacionais se veem hoje obrigadas a despedir. A inflação nacional, medida pelo IPCA, deverá terminar o ano entre 5,8% e 6%, praticamente repetindo os 5,8% do ano passado. Dentro da meta estabelecida, porém, longe dos 4,5% que é o centro da meta e que tem sido o percentual buscado pelo atual governo. Com o agravante de que a inflação de outubro (0,57%) foi a mais elevada desde fevereiro passado.

A ECONOMIA BRASILEIRA EM 2013: UM PÉSSIMO ANO (II)

Preocupado com a inflação, o governo se viu obrigado a elevar novamente o juro básico. Após iniciar o ano em 7,25%, a Selic caminha para fechar 2013 em 10%, com tendência a continuar se elevando no próximo ano. Isso puxa para cima os juros comerciais, de cartão de crédito, cheque especial, financiamento e outros que, aliás, pouco havia baixado apesar dos esforços oficiais de tentar reduzi-los “no grito”. Confirmando que na economia não há mágica e a ciência em questão é mais exata do que se imagina. E aumentar juros significa colocar um freio adicional ao difícil crescimento econômico que já estamos vivendo. Na área comercial, o país chega no final da terceira semana de novembro de 2013 com um saldo negativo de US$ 105 milhões no acumulado do ano, contra US$ 17,3 bilhões positivos no mesmo período de 2012. Aliás, esse é o pior resultado desde o ano 2000 na área do comércio exterior. Isso impacta nas demais contas públicas. A balança de transações correntes, que inclui o resultado da balança comercial, deverá terminar o ano com um déficit recorde de US$ 70 bilhões, exigindo retirada de reservas para cobrir o rombo que isso gerará na balança de pagamentos. E, por falar em reservas, devido a fatores externos, mas principalmente ao descrédito que o mundo passou a dar às decisões econômicas do atual governo, acusando-o desde o final do ano de 2012 de maquiar os dados da economia, o real enfrentou, a partir de maio passado, uma forte desvalorização. A mesma, em meados do ano, chegou a ultrapassar os 22%. Isso obrigou o governo a comprometer as reservas cambiais, hoje ao redor de US$ 370 bilhões, através de leilões cambiais visando segurar o real em um patamar considerado aceitável (entre R$ 2,15 e R$ 2,25), porém, vem encontrando grandes dificuldades para estabilizá-lo em tais níveis. Ora, um real desvalorizado gera mais inflação pela forte dependência de importações que temos. E o círculo vicioso se fecha!

A ECONOMIA BRASILEIRA EM 2013: UM PÉSSIMO ANO (III)

E, para os desinformados que acreditam no discurso de que não temos mais dívida externa, sinto informar que a mesma iniciou o ano de 2013 em US$ 220 bilhões, atingindo US$ 320 bilhões neste final de ano (um aumento superior a 45% em 12 meses). Para completar o quadro, a dívida interna deverá fechar 2013 ao redor de R$ 2,2 trilhões, ou seja, mais de 50% do PIB nacional projetado para o mesmo ano. Além disso, o superávit primário, que iniciou o ano com a meta de 3,1% do PIB, foi revisto para 2,3% pelo governo e, pelos números deste final de ano, terá dificuldades para atingir a 1,8%. Isso porque o governo, nas suas três instâncias, continua gastando muito mais do que arrecada, sendo que a maior parte dos gastos é para manter a inchada máquina pública. Enfim, o modelo de crescimento baseado no consumo interno definitivamente se esgotou e o governo não gerou modelo alternativo, não fez as reformas estruturais necessárias e nem irá fazê-las em 2014 por ser um ano de eleições presidenciais. Não é de se admirar, portanto, que as manifestações populares igualmente ressurgiram em 2013!

A Maquiagem Oficial

Por: Argemiro Luís Brum

A MAQUIAGEM OFICIAL

A partir de meados de 2012 notou-se um processo de maquiagem dos dados econômicos brasileiros por parte do governo federal. Esse processo se cristalizou aos olhos dos analistas internacionais no final daquele ano, quando as principais revistas e jornais econômicos do mundo passaram a acusar a nova realidade brasileira. O governo, não tendo como desmentir a realidade, calou-se. Mas o mercado iniciou um processo de retirada de divisas do país, além de uma redução de investimentos. Tal situação, somada a fatores externos, levou a moeda brasileira, a partir de maio de 2013, a um forte movimento de desvalorização. Tal movimento, contido parcialmente neste final de ano, se mantém. Tanto é verdade que, entre os R$ 2,00 por dólar de meados de maio e os atuais R$ 2,30 tem-se uma desvalorização de 15%. Na prática, não sendo competente para estancar o déficit público e a corrupção desenfreada que grassa no país, o governo tenta maquiar os dados tentando passar uma imagem irreal de nossa economia. No caso do superávit primário, por exemplo, o país corre o risco de nem mesmo atingir 1,8% do PIB quando a meta inicial pré-estabelecida é de 3,2%. Essa fragilização da economia coloca o Brasil em outra dimensão aos olhos do mundo desde o final de 2010. Hoje o país é visto com preocupações, correndo o risco de assistir a um recuo em sua nota de avaliação junto às chamadas “agências de risco”. E o quadro futuro não indica melhorias do cenário!

A MAQUIAGEM OFICIAL (II)

Há muitas maneiras de se maquiar dados oficiais. Desde os índices de inflação, caso muito corriqueiro na Venezuela e na Argentina nos últimos tempos, até as contas públicas em geral. Dentre estas, um exemplo concreto brasileiro assistimos junto à balança comercial do país. Assim, as plataformas marítimas para exploração de petróleo em alto mar, que estão sendo produzidas em Rio Grande (RS), entram na balança comercial como saldo de exportação, embora as mesmas fiquem em território brasileiro. A P-63, por exemplo, alcançou um valor de exportação de US$ 1,6 bilhão em julho passado. Assim, “apesar de fabricada no país e de ficar em operação aqui, o processo é considerado exportação. Há apenas um registro contábil da operação, para uma subsidiária da Petrobras fora do Brasil. Em julho a operação foi fechada com o Panamá. Depois, as plataformas retornam ao país como se estivessem sendo “alugadas” por uma empresa estatal localizada no mercado nacional. O impacto aparece na balança comercial do país e do Rio Grande do Sul porque a plataforma é registrada como exportação, mas retorna ao país como “admissão temporária de bens”, não entrando nas estatísticas de importação”. (cf. ZH 26/09/2013, p. 22)

A MAQUIAGEM OFICIAL (III)

Em outubro passado novamente o processo se fez presente. O Rio Grande do Sul apareceu com o maior superávit comercial do país, atingindo a US$ 2,3 bilhões e o município de Rio Grande como o terceiro do país que mais exportou, atingindo a US$ 5,9 bilhões. Tudo por conta deste jogo contábil com as plataformas petrolíferas. Esta maquiagem oficial, que engana os menos informados e acostumados com esse tipo de jogo, não passa despercebida pelo mercado internacional. Somando-se a outros movimentos deste tipo, no conjunto da economia, o resultado é o descrédito que o país vem tendo no cenário mundial a cada ano que passa. Mas o pior é que, mesmo com toda essa maquiagem, o saldo da balança comercial brasileira continua negativo em 2013. Entre janeiro e o dia 24 de novembro o déficit atingiu a US$ 1,45 bilhão. E isso que a forte desvalorização do Real, desde maio passado, é favorável ao exportador nacional.

Frente do Etanol rejeita preço atrelado ao valor da gasolina

Ícone da capacidade inovadora do Brasil em combustíveis renováveis, o etanol está correndo o risco de ver a produção entrar em colapso, principalmente por ter seu preço atrelado ao da gasolina, que está congelado para conter a inflação.

Para tentar salvar o setor, que computa a desativação de 38 usinas mais 20 em recuperação judicial, e eliminou 100 mil empregos nas duas últimas safras, será lançada em novembro a Frente Parlamentar em Defesa do Etanol.

Uma das principais bandeiras de luta é a desvinculação do etanol do preço da gasolina, que é subsidiado para controlar a inflação a custa de pesados prejuízos da Petrobras, estimados em R$ 39,6 bilhões nos dois últimos anos.

É o que afirma deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), coordenador da Frente, cuja criação foi anunciada, no final de agosto, durante ato público em defesa do setor sucroenergético realizado em Sertãozinho, polo canavieiro localizado no interior de São Paulo.

“Diferentemente da Petrobras, a cadeia produtiva do etanol não tem a mesma capacidade de suportar prejuízos, pois não tem subsídios, nem hedges de negócios ou de políticas públicas”, reclama. “Daí a insustentabilidade do setor e a total inviabilidade de sua continuidade.”

Como no Nordeste

Na carta de lançamento da coleta de assinaturas para a criação da Frente, consta que a crise que atravessa a produção do álcool combustível, misturado à gasolina, poderá ser revertida com duas medidas pontuais:

1. Estender ao etanol tratamento isonômico na formação de preços que se dá à gasolina, ou desatrelar seus preços, oferecendo isonomia de mercado aos fornecedores dos dois combustíveis;

2. Estender ao etanol e a cana-de-açúcar em todo o Pais os termos e as subvenções descritas na medida provisória 615, relativas ao Nordeste brasileiro, por causa da seca.

De acordo com Jardim, o setor não busca benesses ou subsídios governamentais, mas políticas públicas estáveis para garantir a produção e o atendimento da demanda por etanol e açúcar.

“Não reivindicamos royalties, subsídios ou sustentação oficial de prejuízos”, diz um trecho carta assinada por 16 entidades, a maioria de Sertãozinho. “Temos o valor da nossa produção utilizado como instrumento de controle da inflação e atrelado ao preço da gasolina, que penaliza esse setor sucroenergético e toda a sua cadeia produtiva.”

“O que precisamos é do respeito das autoridades pelo trabalho de produzir, o cuidado dos agentes econômicos com o valor que agregamos na matriz energética e nas contas nacionais; e do cuidado especial com a saúde e a perspectiva de toda nossa cadeia produtiva, já com enorme comprometimento fiscal e financeiro.”

Fonte: Diário do Comércio e Indústria